Um casal sueco que morava a mais de dez anos no Brasil enfrentava um sério problema. O maior desejo deles era poder ter um filho. Após inúmeras tentativas, todas frustradas, não foi possível uma concepção, após longas e contínuas noites de amor. Já durava mais de três anos de tentativas e nada dela engravidar. O homem ficava apreensivo em duvidar de sua fertilidade e ela também. Porém eles nunca entraram em discussão por causa disso.
Numa bela tarde de domingo, após o almoço, ambos, entrementes pensaram a mesma coisa e disseram um ao outro exatamente a mesma pergunta:
- Será que somos estéreis?
Por alguns segundos, ambos ficaram paralisados olhando um ao outro dentro dos olhos, com certo ritual de hipnose.
Instantes depois, riram. Ele levantou-se da mesa e ela também. Abraçaram-se e começaram a chorar compulsivamente. Ela foi quem fez uma pergunta mais séria primeiro:
- Amor! Depois destes anos a gente não consegue ter filhos. Será que o problema está comigo?
Ele interveio dizendo:
- Não sei. Você acha que o problema está comigo?
Ficaram calados por alguns segundos e depois decidiram. Procurariam um médico para verificar onde está o problema.
Depois de várias consultas e exames, na clínica o médico explicava o resultado dos exames. A probabilidade de fertilização “in vitro” do casal estava acima dos 65%, mas seria necessário um acompanhamento médico rigoroso, pois a idade deles já ultrapassava os 36 anos de idade.
Em casa toda a semana ela fazia a dieta e tomava os medicamentos recomendados pelo médico e ele também se cuidava diminuindo quase que em cinco cigarros no máximo por dia. Na verdade o médico “culpava-o” pelo insucesso de poderem ter filhos dizendo que o cigarro causava impotência.
Ele barbeando-se no banheiro pensou no que o médico disse:
- Médico besta! Fumar pode causar impotência, mas não esterilidade!
E a rotina do casal continuava com os “exercícios” noturnos para não desanimar. O método convencional nunca daria certo e, se não fosse feito a inseminação artificial o sonho dos dois não se realizaria. Passados mais de dois meses ela esperava ansiosa o seu marido chegar do serviço para dar uma notícia. Estava com atraso menstrual! Ele ao saber sorriu e ela não se continha de euforia imaginando que daquela vez daria certo.
E a cada semana ela sentia alterações e sensações de enjôo no organismo e sonhava com aquela criança tão esperada. Ele também estava feliz e atendia a todos os “desejos” que as mulheres grávidas tinham neste período. (Para alguns, interessante. Interessante não sei no quê?). E todas as noites ele trazia chocolates, às vezes uma torta de palmito, doces, brigadeiros, etc. Tudo o que ela pedia ele atendia prontamente para agradá-la.
No final de semana, na feira livre de sábado ela fez um pedido especial. Queria que ele comprasse: Um abacate, nozes, melancia, figo, açaí, couve ralada, espinafre e mais um monte de outras coisas estranhas, pois aquele desejo estava um pouco exagerado. Mas ele não ligava, afinal de contas, tudo era para o bem estar da criança que estava por vir.
Ela comia feito uma criança tudo aquilo misturando sabores e paladares ficando com um hálito insuportável (às vezes). Ele nem ligava. Apenas sorria satisfeito, com a sensação de que aquele problema traumático seria superado e nenhum dos dois seriam culpados, pois as famílias cobravam o bebê.
Ela disse para ele:
- Você se lembra da nossa festa de casamento? Aquela sua tia gorda e solteirona nos desejou muitas felicidades e uma casa cheia de crianças. Parece que ela estava com inveja! Você não imagina o sufoco que eu passei durante estes três anos só pra gente ter o primeiro filho.
Ele ficou chateado por ter ouvido aquela ofensa, mas relevou, pois ele também estava com aquele nó na garganta por causa daquela tia invejosa.
Naquela noite ela teve enjôo e vomitou tudo o que havia comido. Passado algum tempo ela melhorou e foi dormir. De madrugada ela acordou assustada sentindo fortes dores. Ele prontamente levantou-se da cama e perguntou o que estava acontecendo. Ela disse que estava sentindo muitas dores com cólicas estranhas terríveis.
Rapidamente ele já havia se trocado e estava em direção ao hospital levando-a de carro enquanto caía uma forte chuva. Ela dizia para ele se acalmar, pois mesmo com dificuldades ela conseguia agüentar as dores que estava sentindo.
Chegando ao hospital ela foi prontamente atendida e internada ficando em observação sob um rigoroso cuidado médico. Enquanto ele aguardava na recepção ficava pensando no que poderia acontecer, pois depois de todos estes anos, aguardando por uma oportunidade de poder realizar o sonho de ser pai pela primeira vez, não tinha muito controle sobre o que fazia ou o que pensava.
Uma mulher que estava na recepção também estava aflita aguardando notícias de seu filho que estava internado por ter sido baleado num assalto. Ela contou ao sueco que seu filho foi assaltado e levou cinco tiros, dois na perna, um no braço, um na região do abdômen onde fora submetido a uma cirurgia delicada e outro tiro pegou na espinha onde ele corria o risco de ficar paraplégico. Outras pessoas que também estavam na recepção tinham problemas com seus parentes ou conhecidos que também tinham problemas de saúde, vítimas de atropelamento, viroses, pressão alta, etc.
O sueco só pensava em sua mulher, mas ao mesmo tempo ficou sensibilizado com a situação de outras pessoas da recepção com os diversos problemas dos que estavam internadas naquela madrugada.
Um rapaz entrou na recepção do hospital e vendo a aflição daquelas pessoas abriu a sua mochila e retirou um livro. As pessoas perceberam quando ele aproximou-se e começou a falar para que prestassem atenção, dizendo:
“Eu sei que a situação de vocês é preocupante, pois imagino que vocês aguardam pela melhora de seus parentes ou pessoas conhecidas que aqui estão internadas, mas todos nós, não percamos a esperança. Se vocês permitirem e não se incomodarem eu gostaria de ler um pequeno trecho da bíblia para poder confortá-los com as escritas sagradas.”
Ninguém se opôs e, um a um, interromperam o que estavam falando ou pensando e reuniram-se para prestar atenção ao que o homem iria ler. Começou ele com a leitura dos Salmos:
…Guarda-me, ó Deus, porque em ti confio. A minha alma disse ao SENHOR: Tu és o meu senhor; não tenho outro bem além de ti… …Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há abundância de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente…
E ainda leu inteiramente o Salmo 31 e o 36 e todos prestaram muita atenção naquelas palavras de fé que aquele homem espontaneamente propôs-se a ler no que confortou e conformou as pessoas ali presentes na recepção daquele hospital.
O sueco que não acreditava muito na bíblia ficou comovido com aquelas palavras e decidiu que se a sua esposa saísse daquela situação de risco, prometeu a Deus que iria dedicar-se a uma religião.
No começo da manhã a esposa do rapaz estava recebendo os últimos cuidados e o relatório médico indicava que ela já poderia ter alta. Seu marido foi chamado para receber as instruções de quais cuidados ela deveria ter para não ter problemas em sua gravidez.
Chegando em casa ele conversou com a sua esposa para saber se estava tudo bem. Ela disse que estava sentindo-se melhor e achou que passou mal por ter comido muita coisa variada. Disse que achou que foi a melancia que ”pesou” no seu estômago causando aquele mal estar geral. Ele deu uma risada (disfarçada) e disse que aquilo não era nada, mas exigiu que da próxima vez ela controlasse os seus “desejos malucos”. Com todo o cuidado, recomendações, orientações e acompanhamento médico a gravidez foi adiante e o nenê já estava para nascer.
Um menino lindo e sadio nasceu para a alegria de todos e os pais escolheram o seu nome. Ele ganhou o nome de Samuel em homenagem a um dos profetas da bíblia do Antigo Testamento.
O sueco então começou a frequentar uma igreja aos domingos e quando o seu filho já havia completado mais de seis meses, ele a esposa e o filho iam à igreja todos os domingos para assistir a um culto em uma igreja evangélica.
Esta história acabaria mal se não houvesse uma dedicação e um momento de fé na vida das pessoas, pois fazendo a leitura das escritas sagradas as coisas melhoram. E foi assim que aconteceu na vida do casal sueco.
Graças a Deus!